sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

TUMBA JUNÇARA



O Tumba Junsara foi fundado em 1919 em Acupe, na Rua Campo Grande, Santo Amaro da Purificação,Bahia, por dois irmãos de esteira cujos nomes eram: Manoel Rodrigues do Nascimento (dijina: Kambambe) e Manoel Ciriaco de Jesus (dijina: Nlundi ia Mungongo), ambos iniciados em 13 de junho de 1910 por Maria Genoveva do Bonfim, mais conhecida como Maria Nenem , cuja dijina Mam'etu Tuenda NZambi,, que era Mam'etu Riá N'kisi do "Tumbensi", casa de Angola mais antiga da Bahia. Maria Neném foi iniciada por um escravo angolano chamado Roberto Barros Reis, sua dijina era Tata Kinunga. Nlundi Ia Mungongo teve também como irmã de barco a Mametu Sasia Kia Pulú, que sempre conviveu com Nlundi Ia Mungongo, eles eram muito ligados.

 
Kambambe e Nludi ia Mungongo tiveram Sinhá Badá como mãe pequena e Pai Joaquim como pai pequeno.
O Tumba Junsara foi transferido para Pitanga, no mesmo município, e depois para o Beiru. Após algum tempo, foi novamente transferido, para a Ladeira do Pepino nº 70, e finalmente para Ladeira da Vila América, nº 2, Travessa nº 30, Avenida Vasco da Gama (que hoje se chama Vila Colombina) nº 30 - Vasco da Gama, Salvador, Bahia.
Na época da fundação, os dois irmãos de esteira receberam de Sinhá Maria Nenem os cargos de Tata Kimbanda Kambambe e Tata Nludi ia Mungongo. Manoel Ciriaco de Jesus fez muitas lideranças de várias casas, como Emiliana (Bogum), Mãe Menininha do Gantois, Ile Agbaalá (Amoreiras), onde obteve cargos.
Tata Nlundi Ia Mungongo, Ciriaco, é considerado até hoje, um Tata Ecumênico, nas nações de candomblé. Teve cargo no terreiro gege do Bogun, quando a Doné era Dona Emiliana e mantinha boas relações com o Terreiro do Gantois da então Mãe Escolástica e depois Mãe Meninha; teve o cargo de Sarapembe, no ilê Agboula, em Amoreiras - Itaparica. Quando iniciava Muzenza sempre tinha a participação de pessoas de todos estes terreiros. Viveu no Rio de Janeiro onde também funcionou uma casa do Tumba Junçara em Vila dos Teles.

No Rio de Janeiro, fundou uma casa de culto em Vilar dos Teles (não se sabe a data da fundação nem a relação de pessoas iniciadas). No seu primeiro barco foram iniciados 6 azenza (plural de muzenza), obteve a ajuda do pessoal do BOGUM. Os três primeiros azenza ( Angorênce-RICARDINO, Nanasi e Jijau) foram iniciados segundo os fundamentos do BOGUM e os demais segundo os fundamentos do TUMBA JUNÇARA. 
Com a morte de Manoel Rodrigues do Nascimento (Kambambe), que assumira sozinho a direção do Tumba Junçara, Manoel Ciriaco de Jesus (Nludi ia Mungongo) assumiu a direção até sua morte, a qual ocorreu em 4 de dezembro de 1965.
Manoel Ciriaco de Jesus (Nludi ia Mungongo ) nasceu em 8 de agosto de 1892, falecendo aos 72 anos, cinco meses e seis dias. 
Com sua morte, assumiu a direção do Tumba Junçara a Sra. Maria José de Jesus (Deré Lubidí), que foi responsável pelo ritual denominado Ntambi (ritual fúnebre) de Ciriaco, juntamente com o sr. Narciso Oliveira (Tata Senzala) e o sr. Nilton Marofá. Deré Lubidí era Mam'etu Riá N'Kisi do Ntumbensara, hoje situado à Rua Alto do Genipapeiro - Plataforma, Salvador, Bahia, e de responsabilidade do sr. Antonio Messias (Kajaungongo).
Em 13 de dezembro de 1965, após o Ntambi, Maria José de Jesus (Deré Lubidí) passa a direção do Ntumbensara para Benedito Duarte (Tata Nzambango) e Gregório da Cruz (Tata Lemboracimbe), e em ato secreto é empossada Mam'etu Riá N'Kisi do Tumba Junçara.
Maria José de Jesus (Deré Lubidí) nasceu no dia 18 de setembro de 1900. Foi iniciada na nação Angola aos 23 de junho de 1920 por Manoel Rodrigues do Nascimento e teve Manoel Ciriaco de Jesus como pai pequeno, e em 25 de dezembro de 1920 recebeu a denominação de Deré Lubidí.
Em 1924,recebeu o cargo de Kota Kamukenge (auxiliar da mãe criadeira) do Tumba Junsara, e em 1932, o cargo de Mam'etu Riá N'Kisi. Em 1953 fundou o Ntumbensara, na Rua José Pititinga nº 10 - Cosme de Farias, Salvador, Bahia, que em 18 de outubro de 1964 foi transferido para o Alto do Genipapeiro.

Com o falecimento de Deré Lubidí, assumiu a direção do Tumba Junsara a Sra. Iraildes Maria da Cunha (Mesoeji), nascida aos 26 de junho de 1953 e iniciada em 15 de novembro de 1953, permanecendo no cargo até o presente momento.
Nlundi Ia Mungongo foi iniciado sendo filho do Mukixi Kavungo e Nzazi, Nlundi ia Mungongo significa, Nlundi = Guardião, Mungongo = Mundo, então seria Guardião do Mundo.
              

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O SAL - II


O sal da Biblia
Na Bíblia, as primeiras referências ao sal estão no Antigo Testamento, no Livro de Jó, com data estimada de 300 anos a.c., sendo que o A.T. o menciona com frequência, seja no contexto prático da vida, seja simbolicamente (significa nomeadamente pureza, incorruptibilidade, fidelidade). Em contrapartida no N.T. a referência ao sal torna-se metafórica. No sermão da Montanha, Jesus diz aos apóstolos “vós sois o sal da terra”. Os Livros de Mateus e Marcos fazem alusão ao sal como dádiva da terra.
Algumas passagens biblicas:

No A.T., o Livro dos Reis vangloria as qualidades purificadoras do sal.


Mas, o sal também trazia desgraça - um salmo relata que Deus podia transformar rios em desertos e terra fértil em pântano de sal, como castigo pela crueldade dos seus habitantes.
Por ser tão valioso, o sal foi alvo de muitas disputas. Roma e Cartago entraram em guerra em 250 a.C. pelo domínio da produção e da distribuição do sal no Mar Adriático e no Mediterrâneo. E após vencer os cartagineses, o exército romano salgou as terras do inimigo, para que se tornassem estéreis.
E em Juizes, 9:44, Albimilech capturou a cidade de Shechem, matou as pessoas que ali se encontravam, arrasou a cidade e semeou-a de sal. E, ainda transformou a mulher de Lot em estátua de sal porque olhou para trás ao fugir de Sodoma e Gomorra, cidades destruídas pela ira divina.

No A.T., o SAL ERA UM SIMBOLO IMPORTANTE DA RELAÇÃO COM DEUS. Assim, o sal devia ser colocado em todas as ofertas e os manjares oferecidos a Deus deviam todos ser salgados com sal:

“E todas as tuas ofertas dos teus alimentos temperarás com sal; e não deixarás faltar á tua oferta o sal da aliança do teu Deus; em todas as tuas ofertas oferecerás sal” – A.T. Levitico 2:13.

Na Biblia encontra-se o termo "aliança de sal" designando uma relação com Deus que não pode ser rompida (aliança perpétua de sal)- Números, 18,11; Crônicas, 13,5.

"Todas as ofertas sagradas, que os filhos de Israel oferecerem ao SENHOR, dei-as a ti, e a teus filhos, e a tuas filhas contigo, por direito perpétuo; aliança perpétua de sal perante o SENHOR é esta, para ti e para tua descendência contigo." - Números 18:19

"A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um." - Colossenses 4:6

"Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens."- Mateus 5:13
O Sal atualmente
Foi e tem sido usado no esoterismo e bruxaria para afastar as energias ruins e os maus espíritos.
No sec. XVI, o sal foi abolido por Lutero no ritual de batismo da religião protestante.

No entanto, uso do sal perdurou no batizado católico até 1973. Foi usado na liturgia religiosa dos batizados de forma a simbolizar a expulsão do demónio (purificação), sendo igualmente o sinal de sabedoria sobre o recém-nascido.
Ainda hoje, na Páscoa Judaica, no Pessach, as batatas e os ovos cozidos são regados com água salgada. Tal simboliza as lágrimas derramadas pelos judeus na travessia do deserto, durante a fuga do Egito.

Para os gregos, hebreus e árabes o sal é considerado o símbolo da amizade e hospitalidade, sendo que na Arábia comer sal acompanhado é considerado uma ação sagrada.

No médio oriente acredita-se que quando duas pessoas comem sal juntas, formam um vínculo. Por isso, usa-se sal para selar um contrato

Em Marrocos deita-se sal nos lugares escuros para espantar os maus espíritos.

Em Laos e Sião, as mulheres grávidas lavam-se diariamente com água e Sal, para proteger-se contra as maldições.

Nos países Nórdicos, coloca-se Sal junto ao berço das crianças, para as proteger.

No Havaí, a pessoa que volta de um funeral polvilha sal sobre si mesma, para garantir que maus espíritos que rondassem o defunto não a acompanhem em casa.

No Japão, o sal “shio” é considerado um purificador. Os Japoneses têm a seguinte lenda: o grande Kami Izanakino-Mikoto, desejou que sua mulher fosse levada para um lugar distante, sentindo a falta dela e arrependido por ter feito aquele pedido, foi purificar-se nas águas do mar. Os japoneses têm o costume de deitar sal na soleira da porta de suas casas depois de alguém não desejado ter saído. Os lutadores de sumo, para a luta ser leal, deitam sal no ringue. Também se espalha sal no palco antes de uma apresentação para evitar que os maus espíritos joguem pragas sobre os actores.


Cerca de 110 a.C., o Imperador chinês Han Wu Di iniciou o monopólio do comércio de sal no país, transformando a "pirataria de sal" em crime sujeito à pena de morte. O monopólio e o peso dos impostos sobre o sal foram estopim de grandes rebeliões. Na França, a elevação de uma taxa criada em 1340, chamada "gabelle", ajudou a desencadear a Revolução, em 1789. Séculos depois, na Índia, as taxas abusivas cobradas pelos ingleses encorajaram o movimento da desobediência civil, liderado por Ghandi, na década de 1930.
O sal é amplamente utilizado no esoterismo, em vários rituais de magia, pois tem uma função purificadora, seja ele usado sozinho seja em conjunto com outros produtos.
O sal é recomendado para a limpeza da aura, ou seja, o campo de luz que envolve o corpo humano. Quando a aura está saturada, o sal é o único composto que a recompõe rapidamente. Segundo o esoterismo, o banho de água e sal é excelente para expandir a aura. Mas, para isso, deve seguir algumas regras:

Primeiramente, deve-se tomar o banho normalmente, deixando ao lado um recipiente com água morna e sal grosso. Após o banho normal, despeja-se essa água com sal do pescoço para baixo, segurando o recipiente com ambas as mãos. O conhecimento esotérico indica que não se deve jogar na cabeça. Também não há necessidade de esfregar a água e o sal, já que o banho não atua no corpo físico, mas sim no corpo astral. Basta simplesmente jogar a água com sal sobre o seu corpo. Depois, não é indicado enxugar-se com movimentos de expulsão, ou seja, de baixo para cima ou para os lados, o correto é apenas deixar a toalha absorver a água.



Uma curiosidade a respeito do banho com sal grosso é que, dizem as tradições, ele deve sempre ser tomado nas segundas, nas quartas e, de preferência, nas sextas-feiras. Além disso, deve-se evitar os dias ímpares.


O sal está presente em rituais religiosos de diversas épocas e civilizações. Foi usado por gregos, romanos, asiáticos e árabes. Nas crenças populares, ele é um ingrediente obrigatório para afastar energias negativas e mau-olhado. Em várias culturas, acredita-se que o sal tem o poder de afastar espíritos densos e as energias negativas. Por essa razão, era oferecido aos deuses para afastar os demônios e muitos sacerdotes utilizavam-no nos rituais e nas cerimônias mágicas.

Um cristal
Segundo a explicação de especialistas em radiestesia, o sal é um cristal e, por isso, emite ondas eletromagnéticas que podem ser medidas pela radiestesia (técnica que utiliza pêndulos para identificar e alterar os campos vibratórios). Experiências mostraram que ao colocar-se o pêndulo sobre um monte de sal, é possível detectar o mesmo comprimento de onda da cor violeta, capaz de neutralizar os campos eletromagnéticos negativos.
A sabedoria popular vai pela mesma linha: como as energias densas costumam se concentrar nos cantos dos ambientes, costuma-se colocar um copo de água com sal grosso em pelo menos dois cantos. Quando se formarem bolhas, é hora de trocar a salmoura por outra.
O mesmo efeito purificador explica o famoso banho de sal grosso e o antigo escalda-pés (mergulhar os pés em uma salmoura morna): ambos têm o poder de neutralizar a eletricidade do corpo.


Nas tradições

No candomblé, religião trazida para o Brasil pelos escravos africanos, o sal tem importância fundamental. Na tradição africana, quando uma pessoa muda, deve entrar na nova casa levando primeiramente um copo de água e outro de sal.
Já na tradição judaica, quem muda de casa é presenteado com pão (para que nunca falte alimento) e com sal (símbolo da união indestrutível). No Oriente Médio acredita-se que quando duas pessoas comem sal juntas formam um vínculo. Por isso, é costume usar sal para selar um contrato ou acordo.
Existe uma superstição que indica que derrubar sal na mesa é sinal de mau agouro. Em sua obra "Dicionário do Folclore Brasileiro", Luís da Câmara Cascudo cita que Leonardo da Vinci, ao pintar o famoso quadro "A Santa Ceia", colocou o saleiro entornado diante de Judas.


Fontes de pesquisa:
Coluna da Mônica Buonfiglio no Portal Terra

Cabe a observação:



Um breve histórico
A história da alimentação é antiga. Acredita-se que o homem teria começado a se alimentar de frutos e raízes após observar o comportamento de outros animais. Depois, teria passado a consumir carne crua e moluscos in natura. A trajetória do homem apresenta muitos mistérios. Acontece o mesmo quando se trata de alimentação. Ninguém sabe de que frutos e raízes o homem se alimentava nem de onde surgiu o instinto irracional que o fez consumir tais alimentos sem conhecer seus valores nutricionais.


Dentro do panteão africano, apenas os orixás fun fun (orixá do branco) não utilizam sal, o condimento usado é o Obu, um tipo de giz nativo (efum), e é comestível.


Dentro das lendas africanas existe um itan que retrata um dos motivos da não utilização do sal nas comidas de Oxalá.


Oxalá rejeita o conselho de Ifá


Oxalá foi consultar os adivinhos para saber como conduzir melhor sua vida. Os velhos aconselharam-no a oferecer aos outros deuses uma cabaça grande cheia de sal e um pedaço de pano, para não passar vergonha na terra. Oxalá como era muito teimoso, deu de ombros aos conselhos e foi dormir sem cumprir o recomendado. Durante a noite, Exu entrou em sua casa trazendo uma cabaça cheia de sal, amarrando-a às costas de Oxalá, que jazia em profundo sono.


Na manhã seguinte, Oxalá despertou corcunda e desde então tornou-se o protetor dos corcundas, albinos, aleijados e lhe foi proibido o consumo de sal.


Todos os outros orixás aceitam o sal, exceto se houver alguma interdição detectada através do jogo.





O SAL - I



O sal é a "substância cara aos deuses".

             Citação de Platão

Origens

Desde a Antiguidade que o sal é utilizado pelos homens e é considerado um bem muitissimo precioso. Consideravam eles que era uma dádiva dos Deuses, e associaram-na tanto á religião, quanto á bruxaria. Para além disso, o seu valor monetario e economico era comparável ao do ouro, da seda e das especiarias.
A palavra sal vem do vocabulário grego “hals” e “halos”, que tanto significam sal como mar. Da mesma raiz se deriva a palavra “halita”, dada ao Cloreto de Sódio encontrado em depósitos naturais, que é o sal gema.
Na Roma Antiga, a principal via de transporte chamava-se “Via Salaria” ou “estrada do sal”. Era por essa via que chegavam as caravanas que traziam o sal para a capital do Império, era por ela que os centuriões transportavam os cristais preciosos para a cidade. Como pagamento eles recebiam o “salarium”, que significava “dinheiro para comprar sal” e recebiam igualmente umas medidas de sal como pagamento de parte dos seus emolumentos. O sal tinha assim um valor economico como unidade monetária. O uso da palavra “salarium” perdurou ao longo dos tempos, reconhecendo-se o seu nome na raiz etimológica da palavra “salário” (do latim “salariu”, ou “ração de sal”, “soldo”).
Desde 2000 a. a. que o sal é usado como forma de preservar os alimentos, carne, peixe…
Se nos nossos dias encaramos o sal como um alimento perfeitamente comum, tão comum que a generalidade das pessoas nem lhe dá a mínima importância (a não ser para dizer que a comida está salgada ou sem sal!), as coisas nem sempre foram assim...


O uso do sal ao longo dos tempos e da cultura
O sal está presente em rituais religiosos de diversas épocas e civilizações. Foi usado por gregos, romanos, asiáticos e árabes. Nas crenças populares, ele é um ingrediente obrigatório para afastar energias negativas e mau-olhado.
Existem registros do uso do sal datados de 5 mil anos atrás. O sal foi usado na Babilônia, no Egito, na China e em civilizações pré-colombianas. Nas civilizações mais antigas, contudo, apenas as populações costeiras tinham acesso a ele. Ainda assim, existiam períodos de escassez ocasionados por condições climáticas e por períodos de elevação do nível do mar.
Na Antigüidade, era oferecido aos deuses, era usado pelos sacerdotes tanto em liturgias religiosas como em cerimónias mágicas, como para afastar os demônios. Os assírios utilizavam-no nos cultos religiosos.
No antigo Egipto, o sal foi considerado matéria sagrada e era usado como produto sagrado, sendo feitas oferendas de sal aos Deuses.
Os Egípcios usavam igualmente o sal para desidratar e embalsamar o corpo dos faraós.
Os romanos consideravam o sal um simbolo de sabedoria, e por isso usavam-no num ritual aos recém-nascidos: derramavam sal sobre eles para que não lhes faltasse a sabedoria.
Os Romanos e os Gregos nos seus sacrifícios aos deuses do lar, deitavam Sal na cabeça do animal, para o purificar. Para eles o sal simbolizava igualmente a destruição e a infertilidade, daí a pratica dos romanos espalharem sal nas terras conquistadas: para elas se tornarem estereis para sempre. Era um sinal de perpétua desolação. Os Romanos tinham uma expressão para exprimir a infidelidade a uma amizade que era “trair a promessa e o sal”. Assim desde aqueles tempos a ausência de um saleiro sobre a mesa representava um presságio, tanto quanto o sal derramado.
Da prática ritualistica destes povos, bem como do povo hebreu, de salgar os sacrificios oferecidos aos Deuses, nasce uma superstiçao muito comum na Antiguidade. Se o sal era derrubado na hora do sacrificio, prenunciava má sorte.
Para os hebreus, o sal era um elemento purificador. O sal sempre teve um grande simbolismo, sendo o simbolo da perenidade da aliança entre Deus e o povo de Israel.
No cristianismo, mantem-se a crença judaica do sal como purificador, assim no ritual de baptismo era colocado sal nos lábios dos recém-nascidos.
Na Idade Média, os alquimistas usavam o sal como elemento entre o mercurio e o enxofre, sendo essencial á transmutação de metais. O sal continuava sendo indispensável para afastar os maus espiritos, os demónios e as bruxas. Assim, deitava-se sal na chaminé da casa para impedir os demónios de nela entrarem. E o facto de alguém comer alimentos sem sal era considerado altamente suspeito!!! Proliferaram igualmente as superstições relativas ao sal, mantendo-se a supertição de que desperdiçar sal era mau agouro, era sinal de malefício. Nesta época, o Sal separava senhores e servos, os que tinham dinheiro e os que não tinham...
Na obra de Leonardo da Vinci (1452-1519), “A última ceia” retrata um saleiro derrubado diante de Judas e apontando na sua direcção. Já naquela época dizia-se, que algúem que entornasse sal deveria pegar nalgum do que foi derramado e lançá-lo para trás do ombro esquerdo, lado que representava o mal.
Os árabes citam recomendações de Maomé para: "começar pelo sal e terminar com o sal; porque o sal cura numerosos males".

continua.........

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

FAVAS





FAVAS



    A fava simboliza o sol mineral, o embrião. Evoca o enxofre aprisionado na matéria.
   
     As favas fazem parte dos frutos que compõem as oferendas rituais.  Elas representam os filhos-homens esperados; numerosas tradições confirmam e explicam essa aproximação.  Segundo Plínio, a fava era usada no culto dos mortos por acreditar-se que continha a alma dos mortos.  As favas, na qualidade de símbolos dos mortos e de sua prosperidade, pertencem ao grupo dos Deuses protetores.  No sacrifício que se costumava realizar na primavera, elas representavam a primeira dádiva vinda de baixo da terra, a primeria oferenda dos mortos aos vivos, o signo de sua fecundidade, ou seja de sua encarnação. E isso leva-nos a compreender as razões da proibição estabelecida por Orfeu e Pitágoras para os quais comer favas era o equivalente a comer a cabeça dos próprios pais, a partilhar do alimento dos mortos e, graças a isso, permanecer dentro do ciclo das reencarnações e sujeitar-se aos poderes da matéria.  No entanto fora do âmbito dessa teoria, as favas constituem, ao contrário, o elemento essencial da comunhão como os Deuses, no ápice dos rituais.
    Em resumo as favas são as primícias da terra, o símbolo de todas as benfeitorias proveniente dos Deuses que habitam debaixo da terra.
    O "campo de favas" - denominação que os egípcios usavam com sentido simbólico, era o lugar onde os defuntos aguardavam a reencarnação.  O que confirma a interpretação simbólica geral dessa leguminosa.
    Dentro do cultos dos Voduns/Orixas/inkices e outros, a fava representa e confirma a ancestralidade dos Deuses.
    Em nossos rituais, fazemos uso tanto da fava inteira como ralada, em forma de pó.  O pó, assim como a cinza é comparado ao sêmen, ao pólen das flores, à posteridade.
    Inversamente, por vezes é signo da morte.
    Fazer uso da fava e do pó da fava representa perpetuarmos nossa ancestralidade, as primícias da terra e dos Deuses.
Pesquisa e texto - Yatemi Jurema de Yansã (in memoriam) e 


Ekedi Rovena



fonte de consulta - Símbolos - Alain Gheerbrant




   1   - FAVA DE ABRE-CAMINHO
   2   - BEJERECUM

   3   - FAVA DE EXÚ
   4   - GARRA DE EXU
   5   - FAVA DE OBALUAYE
   6   - DANDA DA COSTA
   7   - IKIN
   8   - FAVA DE OGUM
   9   - FAVA TONCA
   10 - FAVA DE JATOBA
   11 - OROBO
   12 - FAVA DE XANGO - ALIBÉ
   13 - PIXURIN
   14 - AMENDOIM
   15 - COCO DO DENDE
   16 - NOZ NOSCADA
   17 - ATARÉ
   18 -  FAVA DE IANSÃ
   19 -  ARIDAN
   20 - FAVA DE OXALÁ
   21 - FAVA ARIO
   22 - FAVA DE OXUM
   23 - FAVA DE AGUÉ
   24 - FAVA CUMARU
   25 - FAVA OFA
   26 - LELECUN
   27 - FAVA DE LOGUN
   28 - FAVA DE OBALUAYE
   29 - FAVA DE OSAIN
   30 - FAVA DE OXOSSI
   31 - FAVA DE KARITE

domingo, 17 de janeiro de 2010

EXÚ - O MENSAGEIRO







EXÚ


Vamos clarear a injusta impressão deixada por quantos tem informado esse dedicado companheiro, esse mensageiro admirável, esse demandista infatigável, esse oráculo precioso, para colocá-lo no seu devido lugar. Para fazer, elevamos nossos pensamentos ao infinito, suplicando, “Ago Emi Babá Okê” e descendo a terra, saúda aos Exús Tiriri, Lonan ,"Baraô-Bebê, Tiriri-Lonan". Exú é outro orixá. É representante do homem. Os afro-baianos assimilam-no ao demônio dos católicos; mas o que é interessante, temem-no, respeitam-no, fazendo dele objeto de culto. O que é verdade, é que há poucos anos atrás, depois do fabuloso Candomblé da Bahia, aparece Ladinos e a Creoulos, onde encontra-se a verdade, o que imaginamos: Orumilá, o que se revela no oráculo Ifá; Exú mensageiro celeste que representa a força, a inteligência e virilidade. A associação de ambos, já era conhecida desde de tempos imemoráveis na África, tal como imaginam os nagôs e os jejes, são seres intermediários entre as divindades e os homens. Mais adiante, sabemos que Exú tem sido equiparado ao diabo cristão, por observadores apressados, Serve de correio entre os homens e as divindades. Ora, Exú não é um orixá e sim um criado dos orixás e um intermediário, como foi dito. Exemplo: Se desejamos algo de Xangô, devemos despachar Exú, para que, com sua influência, consigamos facilmente. despachar quer dizer, enviar, mandar. É interessante assegurar que buscamos do camdomblé do velho João Arabá, via Pai Arioxarifá, uma especificação que marca o seguinte: os três grandes Exús: Exú Laboré, o distribuidor das tarefas terrenas, o Exú da Terra com ligação direta a Ogum. Conforme se disse acima, é quem recebe invariavelmente suas ordens nas encruzilhadas. Exú Laboré Fumer , o Exú do Fogo, obediente e servidor específico do guerreiro vencedor de demanda onde deve entrar o fogo, para assegurar as vitórias e abreviar o sucesso, Exú Laboré Onadô, servidor direto de Ogum e diretamente de Obaluaiê, o Exú dos Cemitérios, o Exú que a nosso ver é a mingua de fonte valorosa e crível, é Omulú responsável direto pela normalidade da cidade eterna e distribuidor de tarefas a seus pares subordinados na referida necrópole. Os Exús estão assim distribuídos: esses maiorais ou chefes comandam 7 Exús de guia que são: Rei das Sete Encruzilhadas, que também assume a função de Pavenã de Xangô, é o criador que, conforme a lenda mais compreensível dos Iorubanos, aparece como companhia do Orixá Trovão, quando abandonara Oyó onde reinava. Foi Pavenã, o seu criador, e mensageiro que levara a notícia ao povo, que Xangô se tinha enforcado. Exú Tiriri Lonã específico criado de Nanã, o mensageiro, que acompanha a limpeza, os detritos, quando o orixá das chuvas, varre a atmosfera. Olha as varredelas das vilas e cidades, e, tem perfeita ligação com Ogum, Obaluaê e Oxum Iapondá, a Oxum do fogo. Exú Tranca Ruas, especial servidor de Ogum e vigia extraordinário das ruas, estradas e encruzas, onde também come e recebe obrigações. É o grande embaixador dos homens ao Orixá das guerras e batalhas. Exú Veludo, extraordinário servidor de Ogum, com perfeito entendimento com Iemanjá, Oxum e Oxossi. Serve a mãe dos orixás com dedicação. Exú Marabô, que as vezes aparece sob o nome de Barabô. `e um mensageiro sobre o qual faltam maiores esclarecimentos, entretanto podemos dizer, que é servidor de Yemanja, Ogum, Obaluaê, e Oxum. Exú Tata Caveira, representante direto de Omulu, de Laboré Onadô, e que a nosso ver, é a mesma entidade. Também como no cemitério, no cruzeiro principal e assiste também a Oxum. Exú Capa Preta ou Pedra Preta, é o servidor preferido de Iansã, com ação às margens da água doce e por conseqüência servindo a rainha dessas águas e a Obá. É o Exú do Fogo muito chegado ao Aguerê e do mesmo feitio do Apelê, em qualquer interferência de Iansã, a grande comandante de todos os Eguns, aí está ele presente. è equivalente ao Exú dos Rios, como chamam alguns. Como nas encruzas e na pedra fendida, que é o domínio da querida Yabá, rainha dos ventos e das tempestades. Afum lê lê ê parrei Iansã! Aí estão os Sete Exús de Guias, os grandes. Cada um desses Exús, os grandes. Cada um desses Exús , comanda Sete Exús Batizados e esta é a razão da enorme lista de denominação. Um Exú batizado, por sua vez comanda Sete Exús Pagão. Exú Pagão , é aquele inteiramente sem consciência das coisas, ou seja do bem ou do mal, apenas realiza o que determinam. São espíritos (Eguns) que estão inteiramente no escuro, são também almas penadas, almas benditas, estão sempre ao redor das Igrejas em busca de preces e velas. O Fetiche natural de Exú é o Otá, a Pedra de Exú, ou seja o minério de ferro. Quando não se dispõe desse material, usa-se também a Ferramenta modelada, correspondente ao Exú. As frutas de Exú são: o limão descascado e cortado em roletes. Ko-bá laroie Exú. Exú também é um orixá responsável pelas casas espíritas, por isso seu assentamento deve sempre ficar atrás da porta de entrada. Também são responsáveis pelos mandados e pelas demandas. No Ketu, o principal foi Exú Alaketo, no Jeje o Lebara, Exú Galú e Bií, sendo o primeiro de Xangô, o segundo de Ogum e o terceiro Oxum. São representados por um tridente, sendo mensageiro dos orixás, é de caráter irracível e a cólera dos Orixás e dos homens, provocando sempre discórdias, acidentes calamidades públicas e privadas, por isso é chamado o Chicote da Justiça. Exú exerce um papel importantissimo no jogo de búzios, em combinação com Oxum, é ele quem responde as perguntas da Oxum, na qualidade de Exú-Leba. Quando Exú Elegbá se manifesta entre os iorubanose os Nagôs, leva na mão um bastão ou tridente. Este bastão teria teria a virtude preciosa para um mensageiro, de transportar a qualquer local, a centenas de quilometros, e de atrair rapidamente, por um poder magnético, os objetos colocados a distância. Tem capacidade importante nas advinhações, por que é ele, segundo certas lendas, que o Ifá recebeu este domm. Na Nigéria, na região de Ijebú, dizem que foi mandado ao mundo na Ilha de Ifé, pelo Olojá, proprietário do mercado. Teria sido o primeiro Rei Ketu(Alaketu) e seria ancestral do primeiro Rei de Egbás. Na Dahomey dizem ainda, que ele foi homem que se tornou Vodunci em Ijelo no país de Oyó, quando passou dias na Ilha de Ifé(Nigéria). E de lá seu culto se expandiu até Dahomey. Para os Fons, se chama Legbá e faz a mesma função que Exú elegbá dos Iorubanos. as estatuas dos Legbás de Zamgbeto, são particularmente levadas as exibicionismo e aos debates eroticos.






sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

RELIGIÃO E RELIGIOSIDADE

Religião
(1)....A Religião é um processo relacional desenvolvido entre o Homem e os poderes por ele considerados sobre humanos, no qual se estabelece uma dependência ou uma relação de dependência. Essa relação se expressa através de emoções como confiança e medo, através de conceitos como moral e ética, e finalmente através de ações (cultos ou atividades pré estabelecidas, ritos ou reuniões solenes e festividades). A Religião é a expressão de que a consciência humana registra a sua relação com o inefável, demonstrando a sua convicção nos poderes que lhes são transcendentes. Esta transcendência é tão forte, que povoa a cultura humana.
(2)Religião é uma palavra tão associada a uma série de paixões, movimentos e ideologias que defini-la é um desafio, e chegar a uma definição de consenso parece impossível. Talvez em última análise todas as definições possíveis sirvam a algum tipo de agenda, e uma definição objetiva seja no fim das contas impossível de se obter.
Podemos definir como sendo religião:
a qualquer doutrina ou tradição que tenha um registro cultural, transmitido de um adepto para outro por meios orais e/ou escritos. Essa transmissão é necessária para a perpetuação da doutrina, para a formação de linguagem e conceitos próprios que permitam a comunicação entre os adeptos, e para distinguir essa doutrina de outras.
é necessário também que essas doutrinas se preocupem de alguma forma em definir o que é desejável ou não dentro das atitudes, ações e escolhas de seus adeptos. Ou seja, é preciso que exista uma preocupação enfática em definir uma ÉTICA.
além disso, uma religião tem necessariamente de se propor a fazer a ligação entre as circunstâncias específicas das vidas de seus adeptos e algum conjunto de valores absolutos e eternos. Como a compreensão humana do absoluto é inevitavelmente especulativa, surge em decorrência a necessidade de FÉ na prática religiosa.
do conflito dinâmico e essencialmente insolúvel entre os ideais do absoluto e as escolhas imperfeitas da vida diária, surge outra necessidade religiosa, a de INTERPRETAÇÃO, que pode ser exposta por algum tipo de autoridade religiosa formal ou informal, ou deixada a cargo de cada adepto individual.
existe também uma PRÁTICA religiosa, algum tipo de escolhas, atitudes ou ações que são executadas pelos adeptos da religião para caracterizar um compromisso. A essa prática estão ligadas necessidades sociais, emocionais e principalmente estéticas dos adeptos. Há um estreito laço entre as funções ética e estética da religiosidade, pois qualquer pessoa deseja acreditar que ao se buscar o desejável também se está buscando o que é lícito e válido. Dessa interação entre o que se quer e o que que considera correto querer surge um terceiro papel fundamental da vida religiosa - o AMPARO EMOCIONAL.
outra característica necessária de uma religião é um conflito virtualmente sem solução entre os objetivos de preservar sua própria identidade enquanto doutrina (por meio da tradição e transmissão) e de exercer um efeito concreto nas vidas de seus adeptos (através da interpretação e prática). Essas duas metas tendem a limitar-se reciprocamente, mas é exatamente esse conflito que torna necessária a existência da religião. Quando acontece de se supervalorizar a preservação da doutrina, ela tende a perder o atrativo e ser esquecida ou mesmo se extinguir. Quando, pelo contrário, se dá importância excessiva às mudanças concretas nas vidas dos adeptos, o interesse em manter a religião viva diminui, pois vem a sensação de que ela já cumpriu seu papel. Uma religião excessivamente bem-sucedida põe em risco sua própria existência continuada.



Religiosidade
(3).....A religiosidade é uma qualidade do indivíduo que é caracterizada pela disposição ou tendência do mesmo, para perseguir a sua própria Religião ou a integrar-se às coisas sagradas. Precisamos diferir o ser possuidor de religiosidade, do religioso, que é fruto do sistema religioso.
O religioso é um fanático, que não compreende e não respeita o Processo Religare do próximo. Ele se torna intolerante e não aceita as práticas religiosas de outros indivíduos, considerando o seu caminho único e inquestionável. Acontece, com isto, que alguns sistemas religiosos podem gerar indivíduos de religiosidade, mas como os religiosos se apegam ao poder e as fórmulas, tendem a manipular as mentes atormentadas e sofredoras, obrigando a todo aquele que não esteja em sintonia com seus ideais a se tornarem submissos. Daí as crises e a intolerância religiosa. Os religiosos são de fato os grandes causadores de problema, aliados aos seus sistemas religiosos.



(4)....Tentando resumir em uma frase, eu diria portanto que religião é uma doutrina que demanda interpretação, compromisso e fé, que permite uma prática e que tem objetivos éticos, estéticos e emocionais. E religiosidade é uma qualidade do indivíduo de integrar-se às coisas sagradas.


(1) e (3) Parte de um texto de Cláudio Manoel da Silva (BA) e Davi Silva Almeida (BA) - http://www.ipepe.com.br/indexp.html
(2) e (4) Parte de um texto de Luis Dantas http://www.dantas.com/budismo/religiao.htm

CONHECIMENTO E FUNDAMENTO



Conhecimento e Fundamento


O conhecimento é necessário em toda e qualquer atividade humana. Não seria diferente na religião e sobretudo na nossa religião. É necessário e faz bem conhecermos nossa história, nossos ancestrais, as línguas que utilizamos em nossos rituais e tudo aquilo que estiver relacionado a nossa prática religiosa. Em todas as religiões as pessoas lêem e estudam muito. Há inclusive centros de estudos para formar sacerdotes. Caso do budismo, islamismo, cristianismo, judaísmo e assim por diante.No entanto, muitos confundem conhecimento cultural com os fundamentos do culto.Fundamento, a meu ver, são os atos executados no interior do hundeme,roncó ou baquissi, é o momento do sagrado, quando nossas divindades se fazem presente e guiam a mão do sacerdote para a execução correta do ato fundamental, por isso chamado de fundamento. Por outro lado, possa saber tudo o que se passa lá, posso conhecer as rezas e cantigas, posso saber matar o bicho e as comidas votivas, mas se não tenho axé(sabedoria e principios) recebidos de nada vai me adiantar. Saber, no candombé não é poder fazer. Para poder fazer é necessário ter "mão" ou seja ter sido destinado pra aquilo, ter axé pra distribuir. Só o conhecimento não torna alguém um sacerdote. É preciso mais, muito mais.
Esses novos tempos tem confundido algumas pessoas em relação ao segredo do culto.Os segredos para serem mantidos não precisam ser camuflados. Os segredos existem e sempre existirão. Talvez não com mesma intensidade e necessidade que eles já existiram, mas eles continuarão existindo, porque o Candomblé é uma religião iniciática e dependendo do grau de iniciação do indivíduo ele pode participar de certos atos ou não. Para um não iniciado tudo é segredo, mas para um iniciado nem tudo é mais segredo, como o número de segredos de um ogã/ekedi é menor que o de um iyawo e assim por diante. Quanto mais avançamos em nossa iniciação mais os segredos nos serão desvendados. No entanto, o teor de cantigas, o uso de determinados modos da língua, a história dos povos africanos, a história da fundação das casas matrizes, nada disso é segredo porque nada disso constitue-se em fundamentos. Isso faz parte do conhecimento cultural e, na minha opinião, pode e deve vir a público.

Texto: Benin

"O saber desprovido de sabedoria é uma arma que se volta contra quem o possui."

OBI - O FRUTO SAGRADO II

Ó Deus, venha comer noz-de-cola com a gente!
Entre os Ibos, povo do sudeste da Nigéria, a noz-de-cola tem um grande valor simbólico e religioso. Por isso, come-se noz-de-cola nos acontecimentos mais importantes da vida deste povo.As palavras de um ancião da aldeia Ibo, no sudeste da Nigéria, revela o significado da festa onde se come noz-de-cola: "A cola é um símbolo de unidade entre os homens e Deus. A noz-de-cola representa a vida, por isso, é oferecida na oração e nos ritos que celebram a alegria de viver, o amor, a paz, a mútua compreensão. Come-se a noz-de-cola quando nasce uma criança, quando se celebra um casamento, quando morre um parente, quando um novo chefe sobe ao poder, quando tribos se reconciliam depois de travar uma guerra, quando se sela uma nova amizade etc."
Os Ibos começam cada dia louvando a Deus e consumindo noz-de-cola. O ancião só dá o bom dia depois de uma pequena cerimônia familiar, o Ikpa nzu e iwa oji (salpicar com pó de gesso e partir as nozes-de-cola).
Toda a família se senta no chão. O ancião, igualmente sentado no solo, estende as pernas e coloca no centro o ofo (bastão sagrado, símbolo de unidade com os antepassados), algumas nozes, o gesso em pó e uma vasilha com água fresca. Parte as nozes e mastiga um pedaço. Depois, cospe uma parte dela sobre o ofo e outra para o ar, destinada aos espíritos invisíveis. Por fim, enxágua a boca e tira fora a água com força.
Terminado esse ritual, reza em voz alta: "Que o novo dia afaste o mal! Deus, venha comer noz- de-cola! Terra, venha comer noz-de-cola! Antepassados e espíritos, venham comer noz-de-cola! Fazei que aconteça o bem, nunca o mal! Quem tem noz- de-cola, tem vida! A minha vida é a vida da minha família."
A intercessão
Depois da invocação, e sempre em voz alta, o ancião faz uma oração de intercessão. Declara a sua inocência e pede proteção divina. Diz: "Deus, parta estas nozes por mim, porque eu não sei o que dizer. Deus, lhe peço, não me dê a morte, porque sou ainda uma criança. Que, onde quer que esteja uma criança, ela possa acordar cada manhã. O macaco salta para a frente, nunca para trás. Que por esta oração eu seja abençoado e também minha família".
Toda a família fica em silêncio, seguindo com atenção as palavras do chefe da família. Terminada a oração de intercessão, o ancião proclama uma série de exortações morais. Apela para a unidade, para a harmonia e para a convivência em paz: "Há alegria na vida, não na morte. Viva quem oferece noz-de-cola e quem a come! Deus, faça com que o meu inimigo conserve a vida: se não existisse, acaso eu lutaria com a erva? O meu inimigo é útil, porque quando discuto, posso aprender coisas novas!"
O ritual matutino termina com a invocação final. O ancião proclama-a com solenidade. Pede vida e saúde para todos os presentes, e de modo particular para si mesmo, que é o chefe da família. Nesta oração, faz alusão à prece da lagartixa, a qual pode viver sem cauda, mas não sem cabeça.
Comida em comum
A noz-de-cola tem um valor simbólico. É um fruto que deve ser comido sempre em comum. Essa refeição pode ser realizada numa família, onde todos se reúnem com os seus pais, ou pode ser feita por toda a aldeia, que se junta ao redor do ancião, para celebrar um acontecimento especial. Em qualquer dos casos, as nozes-de-cola são sempre distribuídas, partidas e partilhadas entre todos os presentes.
Essa refeição em comum é símbolo da comunhão de bens, da fraternidade e do respeito recíproco.
A noz-de-cola
A cola é um árvore da família das esterculiáceas, conhecidas na África ocidental por árvores de noz-de-cola. Suas folhas são ovais e persistentes. As flores são unissexuais ou poligâmicas, em forma de cálice. Os frutos são lenhosos e contêm de cinco a nove sementes, de sabor amargo, ricas em cafeína. São usadas como comida e também na medicina para despertar energias vitais.
Os ibos
O povo ibo é formado por aproximadamente três milhões de pessoas. Esta região é rica em cursos de água, como os rios Benue e Níger.
A terra é fértil. A vegetação florestal permite aos ibos cultivarem diferentes espécies de árvores, que são importantes para a sua alimentação e o seu comércio. Outra fonte de alimentação é a pesca, a caça, a criação de ovelhas, cabras e frangos. O ano solar tem duas estações: a das chuvas, que vai de maio a outubro, e a do tempo seco, de novembro a abril.

A noz de cola é o fruto do colateiro (cola acuminata) planta da família dos sterculiacées, tais como o cacau, de origem da África tropical e da América Latina.
A noz de cola é apreciada por seu gosto amargo e ardente e apreciada sobretudo por suas propriedades tônicas e adestringentes. Ela contém cafeína, é um bom estimulante nervoso e tônico para o coração. Ela tem a reputação de facilitar a digestão e ter propriedades afrodisíacas.
Ela constitui junto com o vinho de palma (e o galo) os presentes que são oferecidos aos”bakulu” (antepassados), nos casamentos e aos estrangeiros (os que visitam os membros do clã)
Distribui-se entre os convidados em todas as cerimônias como símbolo de boas vindas, símbolo de amizade ou para selar pactos de amizade ou promover a reconciliação. Distribui-se como um gesto de saudação com uma parte (da noz de cola) deslizando da palma da mão.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A ÁGUA NA MITOLOGIA GREGA



Água na Mitologia Grega

A água é um elemento fundamental na cosmogonia, a origem do mundo para a mitologia grega. A água, hídros, aparece para salvar a Terra, Gaia, que estava sendo queimada por Piros, o fogo.
Essa entidade, Hídros/água, passa a fazer parte do mundo olímpico de Zeus e dos deuses do Olimpo. O senhor das águas era o deus Poseidon, o senhor dos mares e também dos rios.
Embora Poseidon fosse o senhor das águas, ele não exercita sobre ela plenos poderes, porque a água é um elemento primordial, que veio antes mesmo de o deus existir.
A água é muito presente na mitologia grega, representando a continuidade, a fertilidadee a proteção materna.
Ela sempre é habitada ou transformada. O rio Serifo, por exemplo, personaliza-se, ele toma forma de homem e deita-se com as ninfas. Mito muito semelhante a lenda do boto cor-de-rosa na mitologia amazônica, só que aqui no Brasil fala-se do boto como um peixe das águas que vira homem e deita-se com as mulheres à noite.
Na mitologia grega, os rios são seres masculinos e cada rio é um homem.
A parte feminina, por exemplo, as ninfas, podiam ficar grávidas e ter muitos filhos ao banhar-se no rio. Os filhos da água na mitologia são incontáveis, são cinqüenta, cem filhos num único parto! Esse exagero é exatamente para mostrar a fertilidade da água e sua importância no mundo antigo.
No entanto, os gregos davam aos rios uma importância menor que os egípcios, pois os rios da Grécia são pequenos. Já para os egípcios o magnífico rio Nilo é o deus pai dos rios, pois era de seus recursos que a população subsistia.
Na mitologia grega, o mar era muito importante e vários personagens habitavam-no como a deusa Tétis, as sereias as pléiades, que eram filhas de Poseidon, as nereides, que são outras divindades aquáticas, todas mulheres.
A água servia para a purificação, depois de guerras, lutas e mortes injustas. Os gregos se banhavam num rio para se purificar de algum ato vil que cometessem. Eles desenhavam o mar em forma de serpente que, muitas vezes, representa a mutação das águas. Para a cultura grega, a água sempre foi muito importante, um elemento fortíssimo, venerado e respeitado.